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A Angola
está na lista dos países africanos que mais encaminham estudantes ao Brasil, segundo dados
divulgados pelo MEC. O governo brasileiro mantém convênios estudantis com vários
países, principalmente com nações que passaram por períodos de guerra civil,
como é o caso de Angola, que vivenciou um longo período de conflito (1975-2002).
Mariquinha Estevão Jovete é diretora de Enfermagem de um hospital na província de Malanje, ao Norte de Angola. Recém chegada ao Brasil, ela veio buscar no País mais conhecimento na área de saúde. "Nós passamos por um período de guerra, de difícil acesso ao conhecimento e o conhecimento que hoje o Brasil oferece é diferente do de Angola. O aprendizado na minha área, a enfermagem, é muito mais amplo aqui", afirma.
Pela primeira vez em solo brasileiro, ela está tendo oportunidade de enriquecer sua experiência profissional e também a sua fé. Em Curitiba, ela recebeu um convite para participar do XI Seminário "A Filosofia das Origens", realizado pela Sociedade Criacionista Brasileira, em parceria com a Educação Adventista, entre os dias 19 e 21 de agosto. Mariquinha conta que o convite para participar das palestras foi inusitado. "Eu ía passando pela rua e encontrei-me com um senhor chamado Rômulo Bastos. Ele me cumprimentou e brincou comigo: 'Aonde a senhora vai com uma sombrinha num dia tão ensolarado?'. Então eu respondi que era porque aqui em Curitiba o clima é muito instável e a qualquer momento pode chover ou chuviscar. Ele percebeu o meu sotaque diferente e perguntou de onde eu era. No final da conversa, ele me convidou para assistir a um culto numa Igreja Adventista [do Bom Retiro] e depois me chamou também para acompanhar o seminário criacionista", conta.
Mariquinha é evangélica e estava à procura de uma igreja para visitar na cidade. "Estou habituada a orar, a me sustentar com a palavra de Deus todos os dias. Havia procurado uma igreja na cidade, mas, como não conheço nada por aqui, não havia encontrado", relata. Embora não professe a fé adventista, ela diz que se sentiu em casa, abraçada por uma família especial.
A angolana diz que apreciou o simpósio criacionista. "O conhecimento que nós temos é muito limitado, às vezes. Esses seminários incentivam a busca pelo conhecimento. Eu fiquei encantada, satisfeita. Esse evento reúne pessoas desenvolvidas, com conhecimento mais amplo, mas também conta com pessoas com conhecimento mais limitado e a partir daqui elas conseguem apanhar muita informação relevante. Pretendo levar aquilo que pude absorver aqui para a Angola e passar essa experiência", enfatiza.